terça-feira, 22 de março de 2011

baixiô




Era um fim de semana incerto, legal e que não se mantinha. Havia sossego e trabalho conjuntos, e eu não tinha o que fazer. Tinha-me levantado cedo e tardava em preparar-me para existir. Passeava de um lado a outro do quarto e sonhava alto coisas sem nexo nem possibilidades - gestos que me esquecera de fazer, ambições impossiveis realizadas sem rumo, conversas firmes e continuas que, se fossem, teriam sido.

E neste devaneio sem grandeza nem calma, neste atardar sem esperança nem fim, gastava meus passos a manhâs livres e as minhas palavras altas, ditas baixo, soavam multiplas, no claustro do meu simples isolamento.


A minha figura humana, se a considerava com uma atenção externa, era do ridiculo que tudo quanto é humano assume sempre o que é intimo. Vesti sobre os trajes simples de sono abandonado, um roupão velho, que me serve para essas vigilas matutinas. Os meus chinelos velhos estavam rotos, principalmente o do pé esquerdo. E, com as mãos no bolso do roupão póstumo, eu fazia a avenida do meu quarto curto em passos largos e decididos, cumprindo com o devaneio inutil um sonho igual aos de toda a gente


Ainda, pela frescura aberta da minha unica janela, se ouviam cair dos telhados os pingos grossos da acumulação da chuva ida. Ainda, vagos, havia frescores de haver chovido. O céu, porem, era de um azul conquistador, e as nuvens que restavam da chuva derrotada ou cansada cediam, retirando para sobre os lados do meu Castelo, os caminhos legitimos do céu todo.

Era a ocasião de estar alegre. mas pesava-me qualquer coisa, uma ânsia desconhcida, um desejo sem definição, nem até reles. Tardava-me, talvez, a sensação de estar vivo. E quando me debrucei da janela alta, sobre para a rua para onde olhei sem vê-lo, senti-me de repente um daqueles trapos húmidos de limpar coisas sujas, que se levam para a janela para secar, mas se esquecem, enroladinhos, no parapeito que mancham lentamente.


Reconheço, não sei se com tristeza, a secura humana do meu coração.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Deliriolema




Agora nao da mesmo pra ser feliz,é impossivel. Mas quem disse que agente precisa ser sempe feliz? Isso é bobagem, como Vinicius cantou `melhor viver do que ser feliz`. Porque, pra viver de verdade, agente tem que quebrar a cara. Tem que tentar pra caralho e não conseguir. Acreditar que vai dar e nõ deu. Querer muito e não alcancar. Ter e perder.

E de qualquer forma, as cegas, as tontas, tenho feito o que acredito, do jeito talvez torto que sei fazer.

E porque quando eu fecho os olhos, é voce quem eu vejo; aos lados, em cima, em baixo, por fora e dentro de mim... talvez seja por isso que eu ande cada vez mais só.


Sem pensar em mais nada fecho os olhos para esquecer. Dorme, menino, repito no escuro, o sono tambem salva. Ou adia.