terça-feira, 30 de agosto de 2011



ainda ontem te vi
não era exatamente você
era teu nome
flutuando na claridade
salpicado de tormentas

ainda há pouco te vi
e estavas nu
não você, era teu nome
bailando ao vento
em desvario

ainda ontem te vi
e já nem doeu
teu nome vagava
belamente desnudo de você

não se apoquente
era só um nome que eu rabisco
nessas tardes lassas
em que morrem palavras
delicadas e nossas

ainda há pouco te vi e
corri para o abrigo de papel
fechei os olhos mas ainda ouvi
um eco perdido de avalanches mortas

eu secreto lenimentos corrosivos
sobre os liames da tua língua predatória
enquanto sigo lendo nas entrelinhas das ausências

(rosa cardoso)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O hoje: fadiga


Há certo tempo que ando tendo saudades dos sentimentos velhos. Uns sentimentos que eram tão bons, e novos, e inocentes de certa forma por ser puro na espontaneidade, mas, entretanto, fruto da descoberta, do frisson, do tesão do ato. Não que hoje eu não tenha sentimentos ou tesão e tenha perdido a beleza nas cores e o brilho nos olhos, esses atributos ainda não me afundei para perde-los. Penso somente no jeito que acontecia na pessoa que eu era quem fui durante o tempo, as coisas que fiz, não fiz, inventei me iludi. Essas paradas definem a mente das pessoas, quando me do por mim, já estou numa camada nova, vivendo nela a mais tempo do que percebido e não gostando dela de imediato.

Ando cansado de tudo. Mas cansado todos que conheço também são, não sei se é algo motivador, ta mais pra condição existencial no globo. Requisito básico. Talvez se eu trocasse alguns hábitos por outros mais salutares, perder uns vícios e manias prejudiciais e lúcidas, eu poderia mudar minha visão das coisas, experimentar de uma camada mais externa, desprendida de matéria e suor. Espiritualizado sou, isso não nego. Aceitei precoce o lado espiritual como curioso e fundamental algo que gera questionamento e contraversão a todo momentos, envolvendo todos os humanos numa cadeia de fundamentos, teorias, lagrimas e devoções. È intrigante!

O cansaço é efêmero, logo mais ele se cansa. To pronto eu pra abandona o doce rosto manso da apatia? Vicio-me com facilidade, verdade. Ta estreita a trilha, porem o teto é alto, pra eu olha pra cima e já te barato.

Hoje me dei conta de mais uma verdade, coisa que agora para mim é mais uma nova resolução. Tenho certeza que eu vou mudá-la, claro que sim. Mas não vai ser mais eu, dormir hoje já é uma incerteza de existir. Vou me amarrar no mundo, senta na beira e dar espaço. Vou ajudar a atmosfera pra ela me ajudar.