domingo, 1 de abril de 2012
do comeco ao fim
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou."
(William Shakespeare)
quarta-feira, 21 de março de 2012
Vassalagem manual

O tempo das medidas, a febre dos sacrifícios. O que basta nem sempre supre. o que régie nem sempre pulsa.
Coração adotado, bastardo de mãe e vigarista de pai, propõe para as dores a insegurança e planta na imensidão do ego um teste de resistência e dignidade.
Tomara que o mundo todo encolha em só nos dois, que nossa unica duvida seja os segredos do universo, que teu sorriso baste para mim e me preencha.
Neste povoado onde tudo retorna para por a prova, onde cada irrelevância seja importante e cada silencio, sepulcral.
Fuja comigo, me aceite com um pacote de defeitos e uma caixinha de prazeres. Me prometo a nós e assino com sangue um atestado de vassalo. Abra-se a mim, há um lugar melhor para nós nos esperando, e tem a nossa cara.
domingo, 11 de março de 2012
Sexo Oral
coração, num vagar de fera. Estendo
aurículas e ventrículos sobre a mesa, entre
os copos que desaparecem. Não há mais
ninguém no bar cheio de gente. Abres-me agora os
pulmões, um para cada lado, e sopras. Respiras-
-me. O laser das tuas palavras rasga-me o lobo
frontal do cérebro. A tua boca abre-se e fecha-se,
fecha-se e abre-se, avançando
por dentro da minha cabeça. As minhas cidades
ruem como rios, correndo para o fundo dos teus olhos.
O tempo estilhaça-se no fogo
preso das nossas retinas. O empregado do bar
retira da mesa o nosso passado e arruma-o na vitrina,
ao lado dos exércitos de chumbo.
Entramos um no outro,
abrindo e fechando as pernas
das palavras, estremecendo no suor dos
olhos abraçados, fazendo sexo
com a lava incandescente dessa revolução
imprevista a que damos o nome de amor
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
sede de medidas

Me perdi no meu marasmo.
Talvez por embaraço ou pelo meu próprio descaso, tenha eu rejeitado minha glória em aceitar o destino.
Descobrir que o tempo não se mede, é como romper a pele do compromisso. é revelar aos olhos a beleza do impedimento. Meus anos e minhas veias estão cheios de horas contadas e calculadas, Entupidas de espera, prazo, pressa e pressão.
Pagamos caro por respirar. Minha existência é infame e efémera,cobro por isso a qualquer custo, e pela sobra descobro que nada sobra, nem um puto!
Dedos sujos manchados de incoerência, folhei-o o livro sagrado no qual debruçam os homens, e extrai de lá toda forma de desprezo pessoal e condolência necessária, para agora me sentir próximo da ideia utópica de julgamento e aceitação. To permitido, sei que posso pecar em aprovação e me atirar em vão sem culpa. Meus pesares estão menos pesados,meu ossos mais frágeis.
Talves eu rasgue meus rostos feitos e abandone meus hábitos usados para seguir a doutrina do presente ou a sequencia do sistema. Pode ser que toda as noções se percam e os valores se corrompem, carregando a sombra da responsabilidade de cobrar pela ignorância em tempos perdido.
Não creio que divinizar as aflições e ignorar a melancolia seja sábio ou que me traga uma calmaria disfarçada de pretexto. Aprisionar desejo, mudar o sexo das nossas sensações.
Culpar nosso inconsciente de nossos infortúnios. tudo parece opaco e repetitivo. Se eu trocar o disco, tudo muda ou todos morrem?
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
era de aquário
a europa anda falida
o melhor jogador é da argentina
todo o resto vem da china
pessoas não sabem o que querem
se um amor, se um ipad
ou um cruzeiro no nordeste
em dez vezes no cartão de crédito
o prospecto é absurdo
tudo passa, tudo muda
mudança raza
estúpida!
e a gente se enrola
e as coisas acumulam
se problemam
saem pelo ladrão
e acenam
eu só quero uma vaga
pra caber certinho
dentro do sistema
casado e proletário
com vista pro mar de ipanema
esperando a era de aquário
até que nada mais seja
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
inrelativus

O relativo é o peso na ponta do gatilho. A duvida é virtude do tempo, que prendeu nas pernas das horas a corda do medo.
Sangro pelos poros e meu suor seca no couro cabeludo. To me atinando de você, to me apegando ao medonho.
Vou carburar um cigarro de desprezo e assoprar na sua cara oca. Meu filtro é uma puta cigana, é o perigo que me mantem vivo, cheirei em fileira pra ser meu ultimo tiro!
Me tiro do fosso, me atiro no mundo.
To pronto pra bala e rojão.
sou feito de couro e carvão!
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
paparadoxal

Inocêncio três, militarista
Anacleto, incestuoso
Vitor três, um estuprador
João dezesseis, um nepotista
Mas foi Pio décimo segundo
Que foi amigo de nazista
Alexandre sexto, fazia orgia
Bento nove, zoofilia
Leão dez, era hedonista
Paulo três, um cafetão
Mas foi Inocêncio quarto
Quem fundou a Inquisição
Gregório sete, era um déspota
Pio dois, era um pornógrafo
João vinte e dois, era um ladrão
No Vaticano fez a rapa
Sérgio três teve até filho
Que também virou um papa
Estevão sete era insano
Assassino sem pudor
Desenterrou de sua cova
Seu inimigo pra condená-lo
Mas foi Pio número onze
Que de Mussolini foi vassalo
Pro papa João Paulo segundo
Quem tem aids que se dane
Tudo da mesma latrina
E com Bento dezesseis
Segue a carnificina
E o pedófilo ganha vez
(paródia de “Paratodos” de Chico Buarque)