quinta-feira, 26 de abril de 2012
galactose
Prostrado em mim. Me esforço impiedoso a ignorar cada ato medíocre teu.
É cruel ver um humano odioso e tão ignorante, empurrar com a testa a realidade e o respeito, passar os dias dando ódio de colher na boca do demônio. Escorre ferida.
Atualmente ando bem, endireitando meus meados e recolhendo meus sonhos. Sou minha própria distração em você, sou o centro da sua desatenção. Meu erro é teu prêmio e meu pau é teu apego, meu teu é tão seu que a mim só resta ter há você... Será?
Por de trás do véu, ascendi uma vela por ti. Rezei uma pedido de ida, um bom presságio pra partida, e um adeus. Achei mais justo manda-lo além, do ficar no mesmo amor eterno de nós dois. Nos encruzilhamos; o que o universo traça, só o homem desgraça!
Me rendo, a nós só lamento. Trago de nós uma fumaça pro peito, que traz cheiro,fedor do nosso corpo com teu perfume escroto e meu cigarro branco. Odor é foda, gruda na parede de dentro do corpo, recheia todas as lembranças com aroma e transpõe tudo que é cheiro bonito com tua cara estampada em cima. To fadado e fodido. Céus!
terça-feira, 17 de abril de 2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Elegia

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 1 de abril de 2012
do comeco ao fim
"De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou."
(William Shakespeare)
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou."
(William Shakespeare)
quarta-feira, 21 de março de 2012
Vassalagem manual

O tempo das medidas, a febre dos sacrifícios. O que basta nem sempre supre. o que régie nem sempre pulsa.
Coração adotado, bastardo de mãe e vigarista de pai, propõe para as dores a insegurança e planta na imensidão do ego um teste de resistência e dignidade.
Tomara que o mundo todo encolha em só nos dois, que nossa unica duvida seja os segredos do universo, que teu sorriso baste para mim e me preencha.
Neste povoado onde tudo retorna para por a prova, onde cada irrelevância seja importante e cada silencio, sepulcral.
Fuja comigo, me aceite com um pacote de defeitos e uma caixinha de prazeres. Me prometo a nós e assino com sangue um atestado de vassalo. Abra-se a mim, há um lugar melhor para nós nos esperando, e tem a nossa cara.
domingo, 11 de março de 2012
Sexo Oral
Primeiro a tua língua molha o meu
coração, num vagar de fera. Estendo
aurículas e ventrículos sobre a mesa, entre
os copos que desaparecem. Não há mais
ninguém no bar cheio de gente. Abres-me agora os
pulmões, um para cada lado, e sopras. Respiras-
-me. O laser das tuas palavras rasga-me o lobo
frontal do cérebro. A tua boca abre-se e fecha-se,
fecha-se e abre-se, avançando
por dentro da minha cabeça. As minhas cidades
ruem como rios, correndo para o fundo dos teus olhos.
O tempo estilhaça-se no fogo
preso das nossas retinas. O empregado do bar
retira da mesa o nosso passado e arruma-o na vitrina,
ao lado dos exércitos de chumbo.
Entramos um no outro,
abrindo e fechando as pernas
das palavras, estremecendo no suor dos
olhos abraçados, fazendo sexo
com a lava incandescente dessa revolução
imprevista a que damos o nome de amor
coração, num vagar de fera. Estendo
aurículas e ventrículos sobre a mesa, entre
os copos que desaparecem. Não há mais
ninguém no bar cheio de gente. Abres-me agora os
pulmões, um para cada lado, e sopras. Respiras-
-me. O laser das tuas palavras rasga-me o lobo
frontal do cérebro. A tua boca abre-se e fecha-se,
fecha-se e abre-se, avançando
por dentro da minha cabeça. As minhas cidades
ruem como rios, correndo para o fundo dos teus olhos.
O tempo estilhaça-se no fogo
preso das nossas retinas. O empregado do bar
retira da mesa o nosso passado e arruma-o na vitrina,
ao lado dos exércitos de chumbo.
Entramos um no outro,
abrindo e fechando as pernas
das palavras, estremecendo no suor dos
olhos abraçados, fazendo sexo
com a lava incandescente dessa revolução
imprevista a que damos o nome de amor
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
sede de medidas

Me perdi no meu marasmo.
Talvez por embaraço ou pelo meu próprio descaso, tenha eu rejeitado minha glória em aceitar o destino.
Descobrir que o tempo não se mede, é como romper a pele do compromisso. é revelar aos olhos a beleza do impedimento. Meus anos e minhas veias estão cheios de horas contadas e calculadas, Entupidas de espera, prazo, pressa e pressão.
Pagamos caro por respirar. Minha existência é infame e efémera,cobro por isso a qualquer custo, e pela sobra descobro que nada sobra, nem um puto!
Dedos sujos manchados de incoerência, folhei-o o livro sagrado no qual debruçam os homens, e extrai de lá toda forma de desprezo pessoal e condolência necessária, para agora me sentir próximo da ideia utópica de julgamento e aceitação. To permitido, sei que posso pecar em aprovação e me atirar em vão sem culpa. Meus pesares estão menos pesados,meu ossos mais frágeis.
Talves eu rasgue meus rostos feitos e abandone meus hábitos usados para seguir a doutrina do presente ou a sequencia do sistema. Pode ser que toda as noções se percam e os valores se corrompem, carregando a sombra da responsabilidade de cobrar pela ignorância em tempos perdido.
Não creio que divinizar as aflições e ignorar a melancolia seja sábio ou que me traga uma calmaria disfarçada de pretexto. Aprisionar desejo, mudar o sexo das nossas sensações.
Culpar nosso inconsciente de nossos infortúnios. tudo parece opaco e repetitivo. Se eu trocar o disco, tudo muda ou todos morrem?
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