segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

inrelativus


O relativo é o peso na ponta do gatilho. A duvida é virtude do tempo, que prendeu nas pernas das horas a corda do medo.
Sangro pelos poros e meu suor seca no couro cabeludo. To me atinando de você, to me apegando ao medonho.
Vou carburar um cigarro de desprezo e assoprar na sua cara oca. Meu filtro é uma puta cigana, é o perigo que me mantem vivo, cheirei em fileira pra ser meu ultimo tiro!

Me tiro do fosso, me atiro no mundo.
To pronto pra bala e rojão.
sou feito de couro e carvão!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

paparadoxal



Inocêncio três, militarista
Anacleto, incestuoso
Vitor três, um estuprador
João dezesseis, um nepotista
Mas foi Pio décimo segundo
Que foi amigo de nazista

Alexandre sexto, fazia orgia
Bento nove, zoofilia
Leão dez, era hedonista
Paulo três, um cafetão
Mas foi Inocêncio quarto
Quem fundou a Inquisição

Gregório sete, era um déspota
Pio dois, era um pornógrafo
João vinte e dois, era um ladrão
No Vaticano fez a rapa
Sérgio três teve até filho
Que também virou um papa

Estevão sete era insano
Assassino sem pudor
Desenterrou de sua cova
Seu inimigo pra condená-lo
Mas foi Pio número onze
Que de Mussolini foi vassalo

Pro papa João Paulo segundo
Quem tem aids que se dane
Tudo da mesma latrina
E com Bento dezesseis
Segue a carnificina
E o pedófilo ganha vez

(paródia de “Paratodos” de Chico Buarque)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Hamburgueres



De repente,não mais que de repente,

tornei-me como que um afluente

na corrente do rio principal.

É quando me desdobro para descobrir por quem dobram os sinos e pressinto me precipitar aos abismos. Sou só um corpo na madrugada. Sinto alguém tocar meu ombro, mas não veio ninguém ao meu encontro. Paro, depuro e me deparo com coisas apropriadas ao abandono: entre as paredes com que me encerro, os pudores, o medo que corre para o fundo do espelho, um antigo bilhete de loteria, questionamentos que não permitem conclusões.

Na minha falta de identidade, eu me reconheço assinalando desesperadamente alternativas pelas quais nunca optei, e aí o sentimento de vazio é preenchido por um amor desmedido pela minha própria imagem. Eu sou – no espelho – quem eu queria comer.

Dialogo desde cedo com lagoas e abismos. Quer dançar comigo um tango à beira do caos? Aceita um Halls? Encontro no mundo ficcional reflexos de minhas angústias todas, não as respostas. Quando me perguntam, respondo com outras perguntas. O que é de fato real?

Eu sei da tua conduta criminal, eu que sou um tímido pássaro perdido cujo coração se alegra quando você sorri, faço versos, mergulho num universo onde não existe nenhuma realidade além do crime. Em casa reproduzo seus silêncios e me incendeio. Existe o gesto e a sugestão do gesto. E qual é o sexo do meu texto? Será que eu conseguiria contar a verdade se parasse de inventar um pouco?

O delegado logo me intima a depor... Não se preocupe: vou dizer que você armazena hambúrgueres, e não revólveres.


André M.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Irocômico


Nas ultimas horas do dia, recolhemos nossas sobras e repousamos nossas fraquezas; me deito um pouco embriagado e olho pro teto esperando o céu descer dele.
A trilha sonora dos dias só toca melodrama, minha vitrola não se esforça nem arranha. Se senti ultrapassada.. compreendo.
To largado! rasguei tudo, descolori tudo pela frente, arrumei tudo por ordem de apatia enfileirando meus sonos perdidos de sonhos frustrados.
Sou soldado de uma causa vã.

Afrouxei a corda.. me desapeguei das ações pra me desprender das reações. Enfiei o dedo no cu da catarse pra sentir se tinha alma.... achei.
Corro lacônico com as calças arriadas, sorrindo frouxo para os moços da praça. Se alguém me gritar eu paro. Se alguém me atirar eu sangro. Se alguém me foder eu gozo.... Pode não ser pra sempre, pode ser que o pra sempre e toda a ideia de sempre e nunca nem existam e toda minha existência seja pura prova e expiação de uma criação espontânea da natureza.
Soberba minha achar que minha canalhice superaria a ironia divina.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

é vã



essa complacência vã. nada é certo para se deixar ao acaso.
Se crês em destino ou na boa oferta do paraíso, só lamento por ti e teus filhos. Bastardos de um mundo ferido, pilulas abortivas de uma sociedade cínica.

Sou o mais novo senil do meu bairro. sou o mais novo rabugento do bar.
Me deixa, não me assista, tenha distancia. Meu sexo é tóxico, minha tarja é preta!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Borboleta Carnívora: Incompreendido Bill

Borboleta Carnívora: Incompreendido Bill: Começa com desabafo, depois arrisca umas mãos na crônica, conto, soneto. Enfim, julga possuir o brilhantismo suficiente para a poesia. M...

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Virado



Me emaranhei nas preguiças frias cobertas sob seu corpo. A moleza tímida da manhã trazia consigo o cheiro seco de cinzas no moletom.
No sonho em que estava, ainda não acabou; To voltando pra Terra tonto, sóbrio.
Que bom que era sonho, estou seguro novamente no conforto de minha ocupação vazia.

Os dias geralmente se arrastam com correntes largas, se envergonhando diariamente da sua lentidão infame que revela as maiores feridas da avareza dos dias.
A rotina é cruel, nos força a vista e encurrala a percepção.

As Pessoas são más, disso já sei. Somos vacilantes, sujos!
Esfregamos nossa miséria no chão esperando colher certa moral. é tudo em vão; Todos somos.

Kant já dizia:''Todos nossos atos são insignificantes, mas devem ser feitos''.
Contrariando nossa própria insignificância, aponto o dedo pra frente e o pau pra cima, acredito na força da opinião e me entrego a alguma razão. Meu conforto é a moral limitada.

Me movo rouco, tusso a todo instante e olho menos aos olhos alheios, não sei dizer se abaixei a guarda ou me rendi por completo, sucumbo tanto que parei de perceber...
minha condição exposta, me poe de cobaia de minhas próprias desaventuras, meus próprios devaneios.
Talvez eu encontre minha própria catarse, me vire do avesso e case comigo mesmo.
Deste jogo sem louros, quebro minhas regras.