segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Deleite



Antes quando os fracos não tinham vez, somente os fortes imperavam no comando das decisões.Hoje fraqueza é artefato priorizado, indecisões e incapacidades foram promovidas, e agora são mais relevantes que alguns atos de efeito. Tudo bem não saber lidar com as incertezas, mas lidar com as certezas é um feito digno a ser considerado; e por estas e outras máximas que a libertação dos franzinos emocionalmente é algo tão apreciado, assisto ao monopólio de tudo, almejados os bem nascidos que se adéquão as necessidades de manipulação. Não quero ser desbravador de lutas nem carregar bandeiras de qualquer que seja a maneira, de mim só faço o impróprio e o inadequado, e pela falta de controle, emito tudo o que absorvo; ser mártir de si próprio da mais trabalho do que ser heróico para poucos.

Entendida a mensagem e traçado um caminho em curto prazo, já me satisfaço em ter um, nunca antes me incomodei e não ter grandes motivos para me levar a fazer as coisas, mas é sempre bom saber que tenho algum. A alegria efêmera de cada dia estreita a visão de que tudo é efemero na rotina, e como tudo é feito de dias, e as competências são contabilizadas por horas do relógio, a sensação de perca de tempo se instala e cria moradia, e assim brota a risada babada da mentira, e o sorriso torto do beiço sem jeito dizendo bobagens, eu entendo que já faço parte do meio.

Vou montar uma bicicleta, vou rodar um filme na Croácia, vou plantar feijão em algodão na índia e no Paquistão. E nada disso é viável para os que pensam ou ponderam, pois quando o fantasma da balança da coisas aparece toda vez que começo a me sentir humano dentro dos instintos, reluto em abraçar o medo ou incentivar meus desejos; é cruel e doente essa insegurança passional. Ao invés de bicicleta vou comprar uma licença de arma, comprar uma granada, e brincar de forças armadas. Espero que entre os sangues derramados nunca reclamados, sejam lembrados em pratos feitos e fartos nas mesas dos intocados.Peço um prato fundo, porque hoje a refeição é dos justos, vou me deleitar nas custas do mundo num festival de moralidades no escuro. Agora decidi que só enxergo aquilo que quero e daqui pra frente o que me resta no futuro é ficar cego; então que seja assim o desejo do tempo, que reserva a distração para todos os dispostos a uma vida em vão. Façamos as malas e vamos a Cuba, beber num gole toda a doce sensação das belezas ocultas.

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