segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

instantes




O tempo é aureo e particular, sua forma é sinuósa e não respeita espaço nem condição.
O tempo é cruel, explora a rotina como tortura, espanta a alegria com injurias e descarta o homem do controle de seus dias.
Mas perto de voce o tempo se abre e se conjura;não há mais minutos que contêm direito ou horas que se completem de maneira ordenada, tudo é expandido. Acontece que ao seu lado fico paralisado no tempo, eternizando o cheiro dos lencóis com as brasas apagadas de cigarros,o jeito de tocar na sua pele e sentir teu peito forte fazendo calor na minha alma,o palido gosto seco do vinho na boca macia em sua lingua quente.. me rendo.
Imaginando a hora que te terei de novo,ascende em mim um desejo de ser dono do tempo, ser senhor de algo grandioso ou criador de algum fenomeno,fico valente!
Em desaventuras e rascunhos, nos perdemos em nossas proprias incompreenssões ja tão aceitas por falta de atenção; medimos os atos em atalhos e não remediamos falhas, tudo fica escrito com suór e sal do lado de fóra de uma vida espiritual.
Nada nos basta ou satisfaz, temos sede do outro e a vontade do mundo no punho, somos seres malogrados com uma fé diagonal que respeita os condenados e abriga exilados; queremos a força do mundo sem ter que pular o muro, acho que estou farto de escolher lados.. quero só sua companhia.
De mal a pior foi como tudo caminhou,e em propostas humanas de comercio cambial da moral decidi abortar o vulgar facil que me envolvia,o apreço pelo desejo é algo inevitavel. Sentado na beirada da janela do mundo vejo as pontas da barba de um Desu sultão, infantilizado com o tempo vencido de senhor dos dias,assistindo com o peso e a indiferença de sempre ter sido Deus os pesares e encantos do que nunca será salvo.
Para voce são meus dias, meus livros e meu instante; que diaxo é essa da vida de dificultar os passos dos amantes...

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