domingo, 10 de julho de 2011

cheiro de alma




Ainda não sei se te ligo ou se faço uma oração.
Meus sonhos com voçê são como contatos imediatos de segundo grau, são devaneios claros numa falta abismal que mora no meu peito.To perturbado de imagens, sua imagem.
Ascendo um cigarro.
Não consigo para de fazer um roteiro da nossa conversa caso eu te ligue, Imagino primeiro seu tom de ''alô'', de imaginar sua cara quando eu disser que sou eu, se voce ja não tiver me reconhecido.
Estranho me ver pensando em fazer aquilo que tenho vontade de suprir e nunca coragem de expremer, de sucumbir.
Acho que me tornei cinza de nós mesmo, imaculei tanto a lembrança que fiz disso um repouso da minha melancolia, o tributo dos meus domingos.
Será que agora você tambem pensa em escrever algo pra mim?.. será que é bunito o que voce dise?
Bunito era você. Como foi facil me apaixonar, somos faceis um ao outro... Não me reconheço ate hoje da pessoa que eu era cuntigo, de tão intrigante eram os tempos, e cinematográfica eram as horas.
Desandei! Confesso que nesse meio tempo todo, quase inteiro, repleto de cacos; me dilacerei. Cortei minha alma em mil pedaços, picotei os dias e os discos e fiz uma colcha de retalhos. Me agasalho dela anoite pra ter minha parcela de degradação própria e segura, tão humana que me disponho a fazer.
Amanheço repleto, de ressaca de tudo e do sono. O gosto ruim na boca me lembra que o dia veio de novo, dando na minha cara o supápo da rotina. Sou modesto e sou escroto,Intragável e cortêz. Aparento ser o centro pra não tem que encarar meu eixo, e nesse banco de conforto fedido que carrego nos ombros, alimento com seu cheiro os meus ares, pra me ajudar a arrastar essas minhas dores táis.
Estou pálido, mais uma nóia nociva aparece em mim. Estou cheio de maltratos e belezas,vejo isso em mim.. me achei no meio de mim e la dentro ta turvo, meio embregado. Só com uma sobriedade carnal meio lasciva e um controle psicótico. Nada incomum..
A noite volta, a Lua me beija.
Amanhã quem sabe eu nao ligue pra voce?! Talvez eu acorde melhor, com as idéias firmes do que dizer, o coração pronto pra tudo que vier ou ceder depois disso e a lingua corajosa pra dizer e vomitar tudo o que quero em cima de voce....ou não?!

domingo, 3 de julho de 2011

emoldurado




meus planos andam plenos, e em rascunho. Resumo os dias pela cara dos minutos e tenho o senso dos sentidos confusos por não saber pra onde olhar, e o que retirar de tudo.
No meio da multidão sua boca vermelha me faz sentir ser o único. no meio do mapa sua indiferença me faz ser um nada.
Cansado de tanto falatório, constipado da fumaça dos seus cigarros, decidi me impedir. Vou deixar os sujos com as sujeiras e os limpos para o limbo. To urrando de vontade de tudo, e o pouco que me trazem eu enrolo nos dedos e enfio no rabo!
Utopia era quando te ter era a certeza. Nunca quis te roubar do mundo nem ser teu como um conjunto, ser dono de teus lábios e de teu tato sempre foi meu bálsamo, meu alamo.
Prego nas paredes do quarto, as cenas que la tive conspirando formas e jeitos de como ter você, foi em prantos.
Pendurei um quadro com minha cara estampada nele, la eu urro cuspindo, de fora me vejo, contemplo.
Cansei de ser espectador do mundo, ficar a beira do sucumbo e respirar o hálito do diabo. Quero meus dias salutares sem imagens, quero só suor e carne. Só o cheiro do meu tabaco fará parte, só minhas roupas estarão jogadas no chão, e como mantenho dito e feito... dos meus planos eu ando pleno, e nesse mapa, você não está no meio.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

o ritmo do sal




Eis o menino de sal, o menino de sal que pesa no meu coração.
Olhai o fundo dos meus olhos, por este prisma de lagrimas,
olhai, olhai, e avistareis o menino de sal, o outrora azul menino de doce rosto em que desejei pregar asas de amor e de anjo.
Eis o menino de sal, que os bruxos arrebentam, que os saltinbancos pousam num fio tênue, que as feras cobiçam de dentes a mostra num horizonte amargo.
O menino de sal que vai fundir os oceanos desvairados.

Falo-vos de um menino que adivinha o mundo, que queria vencer a morte, que acordava alto da noite com pesadelos sôfregos de floresta, matilhas e espingardas.
Falo-vos de um menino límpido, que amava a água e o jasmim, que queria ressucitar os mortos, que pairava entre as primeiras palavras, incerto como a lua nos lábios das nuvens.
Eis o menino de sal que de muito longe me estende as mãos sobre um tempestuoso deserto, sobre uma noite sem margens... Pensareis que falo de um menino morto

Falo-vos de um menino de sal, de um menino banhado em lágrimas, num menino sozinho num campo de duros combates, de um menino de olhos abertos no inferno, imóvel entre vampiros, sonambulos e loucos.
Falo-vos de um menino que ninguem poderá salvar, se aluz do céu nao descer por dentro dele e não arder brilhante e firme como um divino arco-iris e não for sua bússula e sua alma, sua respiração, sua voz, sua vontade e seu ritmo.

Eis o menino de sal, o outrora azul menino, subitamente esquecido, desamado, flor cortada que ainda nao sente que arrancaram da terra e entretem sua vida em provisória água falaz.

Cecilia Meireles


domingo, 5 de junho de 2011

em margem



Não basta ter apenas. Ainda hei de me impor para as tormentas, espero que ninguem aprenda com estas tais reverencias.Trajamos as faces impostas e comemos as histórias aborrecidas.Em tempos de auróra nada é implicito, eu choro no contorno do mundo, eu morro na margem de mim.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

senso






Em todas as horas e em todos os tempos a margem das coisas se aproxima.
Nos dias de glória, vejo com esplendor os brotos surgindo nos lábios que beijo,
e as cores que pinto ao revelar meu sonho.
Quem derá se a minha alma fosse nobre ,o meu coração pobre, se a justica fosse impía e a tristeza somente fruto de melancolia.

Rasgando com medidas, costurei um rosto com trapos de mim; pintei meu coração de roxo e sumi! Me deram como morto.
Acordei sorrindo, e a lua estava de pernas abertas pra mim, me senti como a cisma, que desconfia tranquila de sua confortavel sina.

Acho que cresci, estou espiritualizado,por isso nao acredito no acaso. Pra mim, todo louco é predestinado.

sexta-feira, 6 de maio de 2011


O tempo é mesmo engraçado. Tem gente que diz que é o melhor remédio, mas dessa afirmação insana constantemente discordo. Não é o melhor remédio, simplesmente porque não cura, não faz esquecer. Só desvia o assunto que antes era o principal, pra outra coisa que agora já é mais importante. Faz com que a gente vá se deixando perder em outros sorrisos, e se encontrar em outros abraços e gestos singelos do mais puro e extremo carinho. E faz com que a gente sinta novas saudades, novos sentimentos. Mas não é que gente esquece. A gente só desvia o assunto e não se recorda mais de alguns detalhes. Mas de verdade? Esquecer, a gente nunca esquece. E se o tempo é um protagonista cruel e contraditório, que faz com que a gente mais ou menos se esqueça e metade de se lembre, nós precisamos ser fortes o suficiente pra saber como lidar com isso. E precisamos acreditar que um dia as coisas possam se resolver. E que não sej a culpa do tempo, mas sim do coração. Porque o tempo na verdade é como aqueles documentos perdidos por algum lugar, achados sem querer em uma tarde melancólica de mais um daqueles terríveis domingos. E nós somos a gaveta em que eles se encontram. O tempo guarda memórias importantes dentro da gente, pra que depois, nos nossos piores momentos, possamos recordá-las. Encontrá-las, assim como se achou aquele papel importante dentro daquela gaveta gasta de madeira. É. Vida complicada. O jeito não é fugir daquele tic tac do relógio, mas encará-lo de frente. E acredite, sei eu muito bem que não dá pra viver o presente sem se importar com o que virá daqui em diante. Afinal, sabe o tempo? Ele não volta. E também não esquece.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

tecidos inábeis



As pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem há o que são e nem sempre se mostra. Há os níveis não formulados, camadas imperceptíveis, fantasias que nem sempre controlamos, expectativas que quase nunca se cumprem e sobretudo, como dizias, emoções. Que nem se mostram. Por tudo isso, infelizmente, repetirás, insistirás completamente desesperado, e teu único apoio será a mão estendida que, passo a passo,raciocinas com penosa lucidez, através de cada palavra estarás quem sabe afastando para sempre.
Mas já não sou capaz de me calar, talvez dirás então, descontrolado e um pouco mais dramático,
porque meu silêncio já não é uma omissão, mas uma mentira. O outro te olhará com olhos vazios,
não entendendo que teu ritmo acompanharia o desenrolar de uma paisagem interna absolutamente não verbalizável, desenhada traço a traço em cada minuto dos vários dias e tantas noites de todos aqueles meses anteriores, recuando até a data maldita ou bendita, ainda não ousaste definir, em que pela primeira vez o círculo magnético da existência de um, por acaso banal ou pura magia,interceptou o círculo do outro.
No silêncio que se faria, pensas, precisarás fazer alguma coisa como colocar um disco ou ensaiar um gesto, mas talvez não faças nada, pois ele continuará te olhando com seus olhos vazios no fundo dos quais procuras, mergulhador submarino, o indício mínimo de algum tesouro escondido para que possas voltar à tona com um sorriso nos lábios e as mãos repletas de pedras preciosas. Mas nesse silêncio que certamente se fará talvez acendas mais um cigarro, e com a seca boca cerrada sem nenhum sorriso, evitarias o mergulho para não correres o risco de encontrar uma fera adormecida.
Teu coração baterá com força, sem que ninguém escute, e por um momento talvez imagines que
poderias soltar os membros e simplesmente tocá-lo, como se assim conseguisses produzir uma
espécie qualquer de encantamento que de repente iluminaria esta sala com aquela luz que tentas em vão descobrir também nele, enquanto dentro de ti ela se faz quase tangível de tão clara.
Nítida luz que ele não vê, esse outro sentado a teu lado na sala levemente escurecida, onde os sons externos mal penetram, como se estivessem os dois presos numa bolha de ar, de tempo, de espaço, e novamente encherás o cálice com um pouco mais de vinho para que o líquido descendo por tua garganta trêmula vá ao encontro dessa claridade que tentas, precário, transformar em palavras luminosas para oferecer a ele.
Que nada diz, e nada dirás, e sem saber por quê imaginas um extenso corredor escuro onde tateias feito cego, as mãos estendidas para o vazio, pressentindo o nada que tu mesmo prepararias agora, suicida meticuloso, através de silêncios mal tecidos e palavras inábeis, pobre coisa sedente, te feres, exigindo o poço alheio para saciar tua sede indivisível.

Caio fernando Abreu