sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Borboleta Carnívora: Incompreendido Bill
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Virado

terça-feira, 30 de agosto de 2011
ainda ontem te vi
não era exatamente você
era teu nome
flutuando na claridade
salpicado de tormentas
ainda há pouco te vi
e estavas nu
não você, era teu nome
bailando ao vento
em desvario
ainda ontem te vi
e já nem doeu
teu nome vagava
belamente desnudo de você
não se apoquente
era só um nome que eu rabisco
nessas tardes lassas
em que morrem palavras
delicadas e nossas
ainda há pouco te vi e
corri para o abrigo de papel
fechei os olhos mas ainda ouvi
um eco perdido de avalanches mortas
eu secreto lenimentos corrosivos
sobre os liames da tua língua predatória
enquanto sigo lendo nas entrelinhas das ausências
(rosa cardoso)
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
O hoje: fadiga
Há certo tempo que ando tendo saudades dos sentimentos velhos. Uns sentimentos que eram tão bons, e novos, e inocentes de certa forma por ser puro na espontaneidade, mas, entretanto, fruto da descoberta, do frisson, do tesão do ato. Não que hoje eu não tenha sentimentos ou tesão e tenha perdido a beleza nas cores e o brilho nos olhos, esses atributos ainda não me afundei para perde-los. Penso somente no jeito que acontecia na pessoa que eu era quem fui durante o tempo, as coisas que fiz, não fiz, inventei me iludi. Essas paradas definem a mente das pessoas, quando me do por mim, já estou numa camada nova, vivendo nela a mais tempo do que percebido e não gostando dela de imediato.
Ando cansado de tudo. Mas cansado todos que conheço também são, não sei se é algo motivador, ta mais pra condição existencial no globo. Requisito básico. Talvez se eu trocasse alguns hábitos por outros mais salutares, perder uns vícios e manias prejudiciais e lúcidas, eu poderia mudar minha visão das coisas, experimentar de uma camada mais externa, desprendida de matéria e suor. Espiritualizado sou, isso não nego. Aceitei precoce o lado espiritual como curioso e fundamental algo que gera questionamento e contraversão a todo momentos, envolvendo todos os humanos numa cadeia de fundamentos, teorias, lagrimas e devoções. È intrigante!
O cansaço é efêmero, logo mais ele se cansa. To pronto eu pra abandona o doce rosto manso da apatia? Vicio-me com facilidade, verdade. Ta estreita a trilha, porem o teto é alto, pra eu olha pra cima e já te barato.
Hoje me dei conta de mais uma verdade, coisa que agora para mim é mais uma nova resolução. Tenho certeza que eu vou mudá-la, claro que sim. Mas não vai ser mais eu, dormir hoje já é uma incerteza de existir. Vou me amarrar no mundo, senta na beira e dar espaço. Vou ajudar a atmosfera pra ela me ajudar.
domingo, 10 de julho de 2011
cheiro de alma

Ainda não sei se te ligo ou se faço uma oração.
Meus sonhos com voçê são como contatos imediatos de segundo grau, são devaneios claros numa falta abismal que mora no meu peito.To perturbado de imagens, sua imagem.
Ascendo um cigarro.
Não consigo para de fazer um roteiro da nossa conversa caso eu te ligue, Imagino primeiro seu tom de ''alô'', de imaginar sua cara quando eu disser que sou eu, se voce ja não tiver me reconhecido.
Estranho me ver pensando em fazer aquilo que tenho vontade de suprir e nunca coragem de expremer, de sucumbir.
Acho que me tornei cinza de nós mesmo, imaculei tanto a lembrança que fiz disso um repouso da minha melancolia, o tributo dos meus domingos.
Será que agora você tambem pensa em escrever algo pra mim?.. será que é bunito o que voce dise?
Bunito era você. Como foi facil me apaixonar, somos faceis um ao outro... Não me reconheço ate hoje da pessoa que eu era cuntigo, de tão intrigante eram os tempos, e cinematográfica eram as horas.
Desandei! Confesso que nesse meio tempo todo, quase inteiro, repleto de cacos; me dilacerei. Cortei minha alma em mil pedaços, picotei os dias e os discos e fiz uma colcha de retalhos. Me agasalho dela anoite pra ter minha parcela de degradação própria e segura, tão humana que me disponho a fazer.
Amanheço repleto, de ressaca de tudo e do sono. O gosto ruim na boca me lembra que o dia veio de novo, dando na minha cara o supápo da rotina. Sou modesto e sou escroto,Intragável e cortêz. Aparento ser o centro pra não tem que encarar meu eixo, e nesse banco de conforto fedido que carrego nos ombros, alimento com seu cheiro os meus ares, pra me ajudar a arrastar essas minhas dores táis.
Estou pálido, mais uma nóia nociva aparece em mim. Estou cheio de maltratos e belezas,vejo isso em mim.. me achei no meio de mim e la dentro ta turvo, meio embregado. Só com uma sobriedade carnal meio lasciva e um controle psicótico. Nada incomum..
A noite volta, a Lua me beija.
Amanhã quem sabe eu nao ligue pra voce?! Talvez eu acorde melhor, com as idéias firmes do que dizer, o coração pronto pra tudo que vier ou ceder depois disso e a lingua corajosa pra dizer e vomitar tudo o que quero em cima de voce....ou não?!
domingo, 3 de julho de 2011
emoldurado

meus planos andam plenos, e em rascunho. Resumo os dias pela cara dos minutos e tenho o senso dos sentidos confusos por não saber pra onde olhar, e o que retirar de tudo.
No meio da multidão sua boca vermelha me faz sentir ser o único. no meio do mapa sua indiferença me faz ser um nada.
Cansado de tanto falatório, constipado da fumaça dos seus cigarros, decidi me impedir. Vou deixar os sujos com as sujeiras e os limpos para o limbo. To urrando de vontade de tudo, e o pouco que me trazem eu enrolo nos dedos e enfio no rabo!
Utopia era quando te ter era a certeza. Nunca quis te roubar do mundo nem ser teu como um conjunto, ser dono de teus lábios e de teu tato sempre foi meu bálsamo, meu alamo.
Prego nas paredes do quarto, as cenas que la tive conspirando formas e jeitos de como ter você, foi em prantos.
Pendurei um quadro com minha cara estampada nele, la eu urro cuspindo, de fora me vejo, contemplo.
Cansei de ser espectador do mundo, ficar a beira do sucumbo e respirar o hálito do diabo. Quero meus dias salutares sem imagens, quero só suor e carne. Só o cheiro do meu tabaco fará parte, só minhas roupas estarão jogadas no chão, e como mantenho dito e feito... dos meus planos eu ando pleno, e nesse mapa, você não está no meio.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
o ritmo do sal

Eis o menino de sal, o menino de sal que pesa no meu coração.
Olhai o fundo dos meus olhos, por este prisma de lagrimas,
olhai, olhai, e avistareis o menino de sal, o outrora azul menino de doce rosto em que desejei pregar asas de amor e de anjo.
Eis o menino de sal, que os bruxos arrebentam, que os saltinbancos pousam num fio tênue, que as feras cobiçam de dentes a mostra num horizonte amargo.
O menino de sal que vai fundir os oceanos desvairados.
Falo-vos de um menino que adivinha o mundo, que queria vencer a morte, que acordava alto da noite com pesadelos sôfregos de floresta, matilhas e espingardas.
Falo-vos de um menino límpido, que amava a água e o jasmim, que queria ressucitar os mortos, que pairava entre as primeiras palavras, incerto como a lua nos lábios das nuvens.
Eis o menino de sal que de muito longe me estende as mãos sobre um tempestuoso deserto, sobre uma noite sem margens... Pensareis que falo de um menino morto
Falo-vos de um menino de sal, de um menino banhado em lágrimas, num menino sozinho num campo de duros combates, de um menino de olhos abertos no inferno, imóvel entre vampiros, sonambulos e loucos.
Falo-vos de um menino que ninguem poderá salvar, se aluz do céu nao descer por dentro dele e não arder brilhante e firme como um divino arco-iris e não for sua bússula e sua alma, sua respiração, sua voz, sua vontade e seu ritmo.
Eis o menino de sal, o outrora azul menino, subitamente esquecido, desamado, flor cortada que ainda nao sente que arrancaram da terra e entretem sua vida em provisória água falaz.
Cecilia Meireles