segunda-feira, 29 de novembro de 2010



Em tempos



Estendo aquilo que chamam de tempo, para encurtar aquilo que dizem ser silêncio.

Não entendo tudo o que penso,mas inevitavelmente julgo tudo o que ouço; assim filtro os segundos e trago na boca o cigarro do mundo,traquejando fumaça como uma locomotiva velha,que não pensa no estrago da fumaça deixada para trás.

Fortaleço laços para divinizar dores, e com a compaixão fraca faço da mediocridade o falsário da realidade , me entrego ao incerto e vejo o futuro estampado; já sujo e suado ele se encontra danificado, me parece que nada deixei passar, engoli tudo que vivi e esqueci de digerir.

Sinto uma fumaça turva na vista e um peso denso nos ombros; sinto em mim o peso dos anos ainda não vividos e vejo no rosto dos outros um retrato amarelo de um tempo ultrapassado,a figura bizarra de imagens ruídas que não reconheço.

Me achando no escuro endireito minha coluna,faço pose firme de quem encara e quebro a cara dando moral pras dores. Aprendi nos filmes o rosto do homem mau, que de maldades e cretinices, fez das crianças exímios transgressores.

Hoje me encontro pleno, repleto de meus defeitos e satisfeito com meus lampejos.Desejo para mim todas as dores de amor, todas as distâncias da saudade e todo o suor da carne; e mesmo se o mar virar sertão ou se não receber mais sua atenção,mesmo assim serei de ti; e meu lado se fará pasto,com calma e com cuidado, todo o meu amor que lhe foi dado.



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Ilustração - clipe do'' White Lies - Bigger thans us''

link: http://vimeo.com/16959100 *dica.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

franco.




''Não posso mais roer os nervos enquanto as horas passam e você não aparece. Preciso me poupar. Não pretendo mais sofrer, depois, quando você sumir de vez. Sofrer por amor é pura vaidade. Vou olhar para retratos meus e, de novo, sentirei orgulho de mim. Fotos minhas antes de você. Quando eu ainda não tinha provado desse seu veneno vicioso. Da saliva que se fez heroína. Do cheiro que se fez lança-perfume. Deveria ter uma tabela antipaixão como as que fizeram para os tabagistas. Marcaríamos um xis nas vezes em que pensássemos no outro. Assumindo assim nossa fraqueza. Contando as horas em que fôssemos capazes de esquecer. Poucas, no meu caso, já que tudo me lembra você. E de noite as coisas pioram. Mas quero, e posso, vencer essa semana. Sobreviver à abstinência de você por sete dias. Ao éter da mentira, que deixou-nos malucas e cegas. Estávamos correndo descalças entre os destroços da cidade grande. Seremos crianças? Seremos julgadas como adultas. Sendo a culpa toda sua, que acreditou no ar que respirava. No sujo. Na inveja. Perdemos tudo na paisagem desolada dessa cidade. Cidade feia. E, no feio, nos perdemos. Ou me perdi. Sozinha. Para depois ficar aqui, sentada no meio-fio.


Eu? Eu não sou somente boa. Sou uma pessoa muito bonita. Generosa e linda – e quem agüentar, agüentou. Como prêmio, terá meu amor. Saberá da minha verdade. Dará boas gargalhadas. Mas terá que suportar uma boa dose daquilo que sinto. Pois, apesar de tudo ser diversão, nada é simples. Nada é pouco quando o mundo é o meu.
No meu mundo, eu não sei onde andam aqueles, “os melhores”, que bebem bons vinhos e saboreiam trufas. Queria saber se eles sentem, vagamente, pode ser vagamente mesmo, uma pontinha de nojo, ou de tristeza, porque vivem intensamente a baboseira dos vinhos e trufas, sem pensar em mim, nem querer estar comigo, nem com qualquer outra pessoa que não entenda picas de vinhos e tenha mais o que fazer do que pagar fortunas por lascas de fungo.''

Fernanda Young

Porque ser mediocre é viver na zona franca da existência; .... e hoje é só quinta-feira.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Epifania

Tenho a boca afiada de punhais
não choro
Olho os faróis com duros olhos
ardidos de quem tem febres
mas não sangro.
As mãos vazias deixam passar o vento
lavando os dedos que não se crispam.
Não há palavras, nem mesmo estas
o único sentido de estar aqui
é apenas estar secamente aqui
cravado como um prego
em plena carne viva da tarde.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

tomara



Preciso arrumar meus dentes
Preciso me fazer de louco
Preciso pedir de novo
a sua mão.

Preciso não sentir tanta saudade assim
Preciso parar com tanto Dorflex
Preciso buscar o tal do meu
encontro.

Sabe do que mais?
Hoje vou encher a cara de saliva e sal
Hoje vou ser todo feliz

Preciso comprar algumas cores
Preciso ficar de vez ou outra tripulação
Preciso assumir meu gosto louco
por definição.

Sabe do que mais?
Hoje vou encher minha cara de risada e sol
Hoje vou ser todo feliz

Se eu quiser falar, vou gritar
Se eu quiser gritar, vou me jogar
Se eu quiser me jogar, será pra voar
Se eu quiser voar, será pra fugir
E assim, me chamar.

- boa segunda.

sábado, 20 de novembro de 2010

Como percorro




A luta ainda não comecou
Ela se esconde na carne humana
comida pela história.

Sou o cigarro do crime
tragando a vida na boca.
sou a saliva grossa da garganta seca,
uma merda de alivio escroto!

Pereci perante as fatalidades
para não aceitar mais nenhum gracejo.
Entre as sombras e a duvida, apenas percorro,
passei pela morte quando provei a verdade.

Caros,trago na boca a nata amarga do silêncio
que sucumbida entre as linhas dos dentes
foram quebrados no denunciar dos fatos.




Escorro como gozo nos seios da melancolia

e sinto que estou a perder o gosto.

Cansei se ouvir seus lixos de arrotos e assitir aos luxos dos outros.

Não quero dramaticos efeitos, só um preciso do tom certo de: te deixo!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Exponho

No assombro da noite,procuro pela ausência do lado,pelo travesseiro. O silêncio que faz eco no quarto ,espanta nossa história que repousa..e o traveseiro assombra, assombra e me ronda.
Julgo errado a proposta da vida ao achar que tudo tem razão, e que nas razões esta alguma verdade;que tolo sou eu em achar que reconhecerei alguma verdade; assim reluto.

Zélo o apreco que tenho na simplicidade de tudo,em levantar e se prender ao irrelevante,um dom de ter tons como sons e cores em agridoces,me deleito em mim, te vejo em tudo que vi.
Por de tras das coisas que me distraem estão as coisas que me distroem,e por de baixo do pano sujo revela-se toda a poeira distraida e jogada,inescrupulosamente.

Pouso no meu vicio em voce, e me ponho como um bobo choroso.Amado,porem mesmo assim bobo, a ignorar meus abismos e transpassa-los por ti.
E na falta de tudo que busco, me faço querer nada. A espera e o prazer da idéia me são o balsamo pra ansiedade.
Me exponho a peito nu as tragédias previsiveis,e desta máxima me faço firme perante os julgos de quem assiste.Quero a ti assim,desse jeito torto e sem volta; me vejo pelo seus olhos,me exponho para seus olhares.
Quero tua força branda numa vida mansa, quero ter a certreza de não temer, quando escolher contigo viver.

Valei-me!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

bom;

''Esperamos e esperamos. Todos nós. Não saberia o analista que a espera é uma das coisas que faziam as pessoas ficarem loucas? Esperavam para viver, esperavam para morrer. Esperavam para comprar papel higiênico. Esperavam na fila para pegar dinheiro. E, se não tinham dinheiro, precisavam esperar em filas mais longas. A gente tinha de esperar para dormir e esperar para acordar. Tinha de esperar para se casar e para se divorciar. Esperar para comer e esperar para comer de novo. A gente tinha de esperar na sala de espera do analista com um monte de doidos, e começava a pensar se não estava doido também.''
Charles Bukowski.

Por um começo de semana bem ilustrativo e franco.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A vida secreta dos sapatos.

Sempre disseram aos homens para saberem aonde vão dar as coisas. Incansavelmente perfurada na mente com tons e sons de compaixão, o pobre homem tem medo de si. Sensatez bastarda que não valoriza o poder do vago.
Empurrava com o dorso para não ter que virar o rosto, os caminhos de pedra que me forcavam a traçar, fui curvado e de olhos areiados; era guiado por desejo e nada mais me sucumbia, eu era toda a sua força.
Arrebatados pela madrasta vida, os homens somente andam, andam e se trombam uns aos outros, vendo seus rostos e cheiros se confundirem a suas próprias limitações genéticas; entorpecidos por fraquezas e doenças, meninos maus e peraltas fazem uma várzea de seus próprios corpos e mentes, e isso pesa nos calcanhares... pobre dos calcanhares, tão frágeis os miseráveis.
Espero que olhos nascam em meu peito e que assim meu coracao chore. A miséria que carrego de mim mesmo me basta como mazela para todo o resto que vejo.
Esperava que os homens fossem se ajudar e se governarem por noções obvias de sobrevivência, por cuidado basico de sua própria natureza, por puro instinto de afeto humano que fosse, eu tinha isso em minha visão, como atitudes esperadas.
Inocência minha achar que o todo ponto de vista é uma realidade sólida que deve ser aplicada; ponto de vista é percepção!e sentidos não são democráticos. a tirania é individual!
Nao sou uma orgão de sentido aguçaado, nem acessório diferente em pano de fino trato, sou cidadão fudido e mau pago, mais um empueirado nos pés dos desajsutados, existo pois reinei entre todos num reino farto de tolos.
E entre o povo pagão e os ultrajes de salto, há ainda quem subestima, a vida secreta dos sapatos....