
Em tempos
Estendo aquilo que chamam de tempo, para encurtar aquilo que dizem ser silêncio.
Não entendo tudo o que penso,mas inevitavelmente julgo tudo o que ouço; assim filtro os segundos e trago na boca o cigarro do mundo,traquejando fumaça como uma locomotiva velha,que não pensa no estrago da fumaça deixada para trás.
Fortaleço laços para divinizar dores, e com a compaixão fraca faço da mediocridade o falsário da realidade , me entrego ao incerto e vejo o futuro estampado; já sujo e suado ele se encontra danificado, me parece que nada deixei passar, engoli tudo que vivi e esqueci de digerir.
Sinto uma fumaça turva na vista e um peso denso nos ombros; sinto em mim o peso dos anos ainda não vividos e vejo no rosto dos outros um retrato amarelo de um tempo ultrapassado,a figura bizarra de imagens ruídas que não reconheço.
Me achando no escuro endireito minha coluna,faço pose firme de quem encara e quebro a cara dando moral pras dores. Aprendi nos filmes o rosto do homem mau, que de maldades e cretinices, fez das crianças exímios transgressores.
Hoje me encontro pleno, repleto de meus defeitos e satisfeito com meus lampejos.Desejo para mim todas as dores de amor, todas as distâncias da saudade e todo o suor da carne; e mesmo se o mar virar sertão ou se não receber mais sua atenção,mesmo assim serei de ti; e meu lado se fará pasto,com calma e com cuidado, todo o meu amor que lhe foi dado.
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Ilustração - clipe do'' White Lies - Bigger thans us''
link: http://vimeo.com/16959100 *dica.
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