
Que hoje m dia é quieto
Ja quis ser reto
Vou caminhando
Eu vou andando




Antes quando os fracos não tinham vez, somente os fortes imperavam no comando das decisões.Hoje fraqueza é artefato priorizado, indecisões e incapacidades foram promovidas, e agora são mais relevantes que alguns atos de efeito. Tudo bem não saber lidar com as incertezas, mas lidar com as certezas é um feito digno a ser considerado; e por estas e outras máximas que a libertação dos franzinos emocionalmente é algo tão apreciado, assisto ao monopólio de tudo, almejados os bem nascidos que se adéquão as necessidades de manipulação. Não quero ser desbravador de lutas nem carregar bandeiras de qualquer que seja a maneira, de mim só faço o impróprio e o inadequado, e pela falta de controle, emito tudo o que absorvo; ser mártir de si próprio da mais trabalho do que ser heróico para poucos.
Entendida a mensagem e traçado um caminho em curto prazo, já me satisfaço em ter um, nunca antes me incomodei e não ter grandes motivos para me levar a fazer as coisas, mas é sempre bom saber que tenho algum. A alegria efêmera de cada dia estreita a visão de que tudo é efemero na rotina, e como tudo é feito de dias, e as competências são contabilizadas por horas do relógio, a sensação de perca de tempo se instala e cria moradia, e assim brota a risada babada da mentira, e o sorriso torto do beiço sem jeito dizendo bobagens, eu entendo que já faço parte do meio.
Vou montar uma bicicleta, vou rodar um filme na Croácia, vou plantar feijão em algodão na índia e no Paquistão. E nada disso é viável para os que pensam ou ponderam, pois quando o fantasma da balança da coisas aparece toda vez que começo a me sentir humano dentro dos instintos, reluto em abraçar o medo ou incentivar meus desejos; é cruel e doente essa insegurança passional. Ao invés de bicicleta vou comprar uma licença de arma, comprar uma granada, e brincar de forças armadas. Espero que entre os sangues derramados nunca reclamados, sejam lembrados em pratos feitos e fartos nas mesas dos intocados.Peço um prato fundo, porque hoje a refeição é dos justos, vou me deleitar nas custas do mundo num festival de moralidades no escuro. Agora decidi que só enxergo aquilo que quero e daqui pra frente o que me resta no futuro é ficar cego; então que seja assim o desejo do tempo, que reserva a distração para todos os dispostos a uma vida em vão. Façamos as malas e vamos a Cuba, beber num gole toda a doce sensação das belezas ocultas.



Em tempos
Estendo aquilo que chamam de tempo, para encurtar aquilo que dizem ser silêncio.
Não entendo tudo o que penso,mas inevitavelmente julgo tudo o que ouço; assim filtro os segundos e trago na boca o cigarro do mundo,traquejando fumaça como uma locomotiva velha,que não pensa no estrago da fumaça deixada para trás.
Fortaleço laços para divinizar dores, e com a compaixão fraca faço da mediocridade o falsário da realidade , me entrego ao incerto e vejo o futuro estampado; já sujo e suado ele se encontra danificado, me parece que nada deixei passar, engoli tudo que vivi e esqueci de digerir.
Sinto uma fumaça turva na vista e um peso denso nos ombros; sinto em mim o peso dos anos ainda não vividos e vejo no rosto dos outros um retrato amarelo de um tempo ultrapassado,a figura bizarra de imagens ruídas que não reconheço.
Me achando no escuro endireito minha coluna,faço pose firme de quem encara e quebro a cara dando moral pras dores. Aprendi nos filmes o rosto do homem mau, que de maldades e cretinices, fez das crianças exímios transgressores.
Hoje me encontro pleno, repleto de meus defeitos e satisfeito com meus lampejos.Desejo para mim todas as dores de amor, todas as distâncias da saudade e todo o suor da carne; e mesmo se o mar virar sertão ou se não receber mais sua atenção,mesmo assim serei de ti; e meu lado se fará pasto,com calma e com cuidado, todo o meu amor que lhe foi dado.
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Ilustração - clipe do'' White Lies - Bigger thans us''
link: http://vimeo.com/16959100 *dica.

Epifania

No assombro da noite,procuro pela ausência do lado,pelo travesseiro. O silêncio que faz eco no quarto ,espanta nossa história que repousa..e o traveseiro assombra, assombra e me ronda.
''Esperamos e esperamos. Todos nós. Não saberia o analista que a espera é uma das coisas que faziam as pessoas ficarem loucas? Esperavam para viver, esperavam para morrer. Esperavam para comprar papel higiênico. Esperavam na fila para pegar dinheiro. E, se não tinham dinheiro, precisavam esperar em filas mais longas. A gente tinha de esperar para dormir e esperar para acordar. Tinha de esperar para se casar e para se divorciar. Esperar para comer e esperar para comer de novo. A gente tinha de esperar na sala de espera do analista com um monte de doidos, e começava a pensar se não estava doido também.''